segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Uribe não chega a acordo com indígenas para fim de protestos
Associated Press e Reuters
BOGOTÁ - Depois de mais de seis horas de debate, o presidente Álvaro Uribe e centenas de indígenas encerraram o domingo, 2, o diálogo sem chegar a um acordo para acabar com as marchas e protestos dos nativos. Os índios, que protagonizaram enfrentamentos com a política e fecharam uma importante rodovia nas últimas semanas, exigem a realização de uma reforma agrária, o respeito aos seus territórios e aos costumes de seus ancestrais e o fim da violência contra o grupo.
Na reunião, foram discutidas as questões de direitos humanos, sobre o assassinato de vários indígenas, e sobretudo a doação de terras para o grupo. O presidente afirmou que representantes do governo continuarão as discussões. As caminhadas e manifestações começaram há três semanas e desencadearam enfrentamentos com a força pública, deixando ao menos três indígenas mortos e feriu gravemente vários policiais.
Os indígenas acusaram a polícia de disparar e provocar a morte das vítimas no protesto, mas o governo - baseando se em informes forenses - assegurou que as duas mortes foram provocadas pela explosão de artefatos artesanais como as usadas pelas guerrilhas de esquerda. As autoridades denunciaram ainda rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) estariam infiltrados nos protestos, versão negada pelos manifestantes, que afirmaram que o governo tenta os acusar de terrorismo.
Uribe rechaçou a possibilidade de retirar a força pública das terras indígenas, por considerar que "na Colômbia não podem haver territórios vetados para as Forças Armadas". Apesar da falta de acordos concretos, as partes aceitaram a instalação de mesas de diálogo para tratar de temas pontuais do protesto e de buscar respectivas soluções.
A Colômbia, que tem cerca de 44 milhões de habitantes, tem 85 etnias com pelo menos um milhão de indígenas, de acordo com as Nações Unidas (ONU). O grupo enfrenta o perigo de extinção como conseqüência do conflito interno que a mais de 4 décadas atinge o país e já fez milhares de vítimas.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Colômbia afasta militares por violação de direitos humanos
Este é o maior incidente do tipo na história recente das Forças Armadas colombianas, no qual na última década, durante o Governo de Ernesto Samper (1994-1998), foram destituídos dezenas de soldados ligados a paramilitares.
"Não podemos permitir que se confunda a eficácia na luta contra os delinqüentes com a covardia para enfrentar os delinqüentes, e a distorção de eficácia assassinando vítimas inocentes", afirmou o presidente Álvaro Uribe na sede do Executivo em Bogotá.
O chefe de Estado apareceu diante da imprensa junto com o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, e o comandante das Forças Militares, o general Freddy Padilla de León, para anunciar "drásticas decisões" administrativas sobre os envolvidos.
As medidas foram baseadas nas conclusões de uma investigação sobre o desaparecimento, no início deste ano, de alguns jovens de Soacha, localidade ao sul da capital colombiana, e o posterior encontro de seus restos mortais.
Todos foram registrados como "mortos em combate" nos cemitérios do nordeste do país nos quais foram sepultados, conforme as investigações judiciais.
Um comitê conformado em de 3 de outubro pelo general Padilla assumiu as investigações do caso, que no último domingo entregou seus resultados.
O titular da Defesa disse que este processo administrativo é um dos vários que derivaram ou derivarão do caso, que na parte penal compete à promotoria e no disciplinar à procuradoria.
"A comissão opinou que pode haver integrantes das Forças Armadas envolvidos em assassinatos, e que há falhas em procedimentos, em protocolos, em vigilância", afirmou Uribe.
Ele disse que também que em algumas instâncias do Exército "houve negligência e falta de cuidado nos procedimentos que têm que ser observados" nas ações militares.
É uma situação, denunciou depois, que "permitiu que algumas pessoas pudessem estar incursas em crimes, resultado da confabulação entre delinqüentes e integrantes do Exército".
Segundo Uribe, são crimes que em algumas regiões "têm por interesse assassinar inocentes para dar a sensação de que naquele local está havendo um enfrentamento contra os criminosos, quando os verdadeiros criminosos são os associados com o Exército para cometer tais delitos".
O chefe do Estado fez alusão a Norte de Santander (departamento da fronteira nordeste com a Venezuela), que acolhe as unidades militares da expulsão em massa, que a princípio se informou que chegava a 25 soldados.
O grupo de removidos são liderados pelo major general Roberto Pico Hernández e os brigadeiros José Joaquín Cortés e Paulino Coronado, comandantes da 7ª e a 2ª Divisão do Exército Nacional, e a Brigada XXX. Os três tinham de 33 a 36 anos de trajetória militar.
Depois deles, estão outros 17 oficiais - quatro coronéis, sete tenentes-coronéis, quatro majores, um capitão e um tenente -, além de sete suboficiais - três sargentos vice-primeiros, três segundos-sargentos e um cabo.
Alguns foram chamados para qualificar serviços, como se conhece no país a passagem para a aposentadoria, e outros separados discretamente, destituídos pelo poder que os superiores têm de fazê-lo sem oferecer explicações.
Os "falsos positivos" é o nome dado aos casos como o dos desaparecidos de Soacha, que são de execuções extrajudiciais.
No país, foram apresentadas 535 execuções deste tipo de 1 de janeiro de 2007 a 1 de julho de 2008, segundo uma missão de estudo formada por juristas de oito países da América e da Europa que se ocupou deste problema na Colômbia.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Anistia denuncia aumento de execuções extrajudiciais na Colômbia
Anistia denuncia aumento de execuções extrajudiciais na Colômbia
Há 6 horas
MADRI (AFP) — A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional (AI) denunciou o aumento de "execuções extrajudiciais pelas forças de ordem na Colômbia e as violações de direitos humanos cometidas por grupos paramilitares", segundo documento publicado nesta terça-feira em Madri.
No documento "Deixei-nos em paz" obtido pela AFP, a ONG destaca que, segundo o governo colombiano, no país há um "renascimento irreversível de uma paz relativa, um rápido recuo dos índices de violência, a desmobilização com sucesso de milhares de combatentes paramilitares e uma justiça efetiva para as vítimas de abusos".
"Sem dúvida, é certo que nos últimos anos a incidência de alguns abusos caiu", continua a AI em seu relatório de 85 páginas. "Mas outros, no entanto, aumentaram, particularmente as execuções extrajudiciais cometidas diretamente pelas forças de segurança e os deslocamentos forçados das populações", continua.
"Além disso, o aumento recente da violência contra os defensores dos direitos humanos e os sindicalistas também é motivo de preocupação", enfatizou a AI.
"Os grupos paramilitares continuam ativos e cometendo violações dos direitos humanos, apesar de o governo afirmar o contrário", diz o relatório, insistindo em particular na existência de um conflito que envolve o Exército, os paramilitares e as guerrilhas, e que não é só a guerra contra o terrorismo como afirma o governo do presidente colombiano Alvaro Uribe.
Este conflito custou a vida de mais de 70.000 pessoas em 20 anos, a maioria civis.
Segundo a ONG, entre 15.000 e 30.000 pessoas desapareceram desde o início do conflito, há 40 anos.
A AI denuncia também as guerrilhas de esquerda, em particular as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), pelos seqüestros, deslocamentos forçados da população, entre outros crimes.
O número de seqüestros caiu, de 3.570 em 2000 para 520 em 2007, mas a Colômbia continua sendo um país em que milhões de civis são castigados pelo conflito violento e prolongado, afirma a AI.