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sexta-feira, 24 de outubro de 2008

América Latina adia projetos por causa da crise, diz 'FT'

Vários projetos estão sendo adiados na América Latina por causa da crise financeira mundial, que estaria secando o crédito na região, segundo reportagem publicada nesta sexta-feira pelo diário britânico Financial Times.
“Projetos de investimento que valem bilhões de dólares estão sendo cancelados ou adiados na América Latina enquanto a desordem financeira no mundo industrializado deita sua longa sombra sobre as economias reais da região”, diz o FT.
O jornal afirma que, no Brasil, o maior projeto a ser suspenso temporariamente até agora é a nova fábrica de celulose da Aracruz no Rio Grande do Sul, no valor de R$ 4,9 bilhões.
“A Aracruz é uma das três grandes empresas que já admitiram grandes perdas em contratos de câmbio que deram errado com a rápida desvalorização da moeda nos últimos dois meses.”

No México, o governo aumentou o prazo para que empresas interessadas em concorrer ao projeto de construção do porto de Punta Colonet, “o projeto de porto mais ambicioso da história do país”, por causa da crise financeira.

O FT ainda cita a Petrobras, afirmando que os planos de investimento para explorar as novas reservas de pré-sal – avaliados em US$ 600 bilhões - têm sido repetidamente adiados.

O jornal cita o presidente da empresa, Sérgio Gabrielli, que nesta semana disse que “há muitas incertezas” com o projeto, e afirma que o prazo final para que seja completado pode ser estendido até 2020.

Mas a empresa tem vastas reservas, diz o diário britânico, e deve conseguir arcar com US$ 200 bilhões desses investimentos, procurando parceiros para financiamento, e conhecimento.

“Mas a dificuldade em levantar finanças deve mudar a abordagem”, diz o FT, citando um economista da Petrobras que teria dito que a empresa agora deve estabelecer suas metas de acordo com o dinheiro disponível.

“Economistas afirmam que o deslocamento financeiro está se transmitindo para a região de várias maneiras, diminuindo o apetite para investimentos”, afirma o jornal.

“O crédito está secando, provocando quedas bruscas em algumas moedas da região, e prejudicando companhias que pegaram empréstimos em dólares.”

O diário diz ainda que a desaceleração econômica nos Estados Unidos e Europa reduziu a demanda por alguns produtos, levando a quedas acentuadas nos preços de commodities – das quais dependem muitas economias na América Latina.

“Por fim, a crise perfurou a confiança econômica”, diz o FT.

domingo, 7 de setembro de 2008

ONU critica taxas de juros da América Latina

O braço para o desenvolvimento da Organização das Nações Unidas (ONU) fez ontem uma forte crítica à política monetária adotada por países como o Brasil. Em relatório distribuído em todo o mundo, a entidade afirma que as taxas de juro cobradas na América Latina são "consideravelmente elevadas" e que os bancos centrais da região "são exclusivamente focados no controle da inflação", comportamento que prejudica o crescimento econômico dos países. No documento, as projeções de crescimento da economia em 2008 mostram desaceleração, inclusive nos países emergentes.

No estudo, economistas da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad) afirmam que os juros dos países latino-americanos provocam baixas taxas de investimento. Isso fez com que a região crescesse em ritmo menor que o observado em outros locais nos últimos 20 anos. Em 1998, por exemplo, o juro real girava em torno de 20% na América Latina. Naquele ano, a economia da região cresceu perto de 2,5%. Na Ásia, o juro estava em torno de 5% e a economia avançou quase 10% no mesmo período.

O texto não cita o aumento dos juros iniciado em abril pelo Banco Central (BC) do Brasil. Mas a projeção para o crescimento da economia nacional já embute o aperto monetário. Para a entidade, o País deve crescer 4,8% em 2008, abaixo dos 5,4% de 2007. Em contraponto à estratégia dos países latino-americanos, a Unctad elogia a Ásia, onde são cobrados "juros baixos e há intervenção do governo nos mercados financeiros". Para a entidade, essa ação gera forte crescimento da economia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.