segunda-feira, 17 de novembro de 2008
OCDE espera que Brasil não caia na recessão
"O Brasil cresceu 5% ano passado, mas agora seus principais parceiros já estão em recessão e isso tem efeitos", afirmou Gurria. Mesmo a China, com crescimento acima de 7%, deverá importar menos commodities.
O diretor dessa espécie de clube dos países ricos tampouco quis sugerir ao Brasil o receituário que saiu do G-20, para os países enfrentarem a crise aumentando os gastos públicos e cortando impostos e juros.
"Tudo depende do espaço que tem cada país e do ´balance´ certo para fazer isso", afirmou Gurria. Na semana passada, a OCDE reconheceu que a maioria de seus 30 países membros estão em recessão.
(Assis Moreira | Valor Econômico para o Valor Online)
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Aborto dos anencefálicos
Maioria dos brasileiros é favorável ao aborto de fetos sem cérebro
Portal Terra
BRASÍLIA - Pesquisa encomendada pelo movimento Católicas pelo Direito de Decidir e pelo Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero (Anis) junto ao Ibope aponta que 70,5% dos brasileiros são a favor da interrupção da gravidez no caso de bebês que apresentam anencefalia, caracterizada pela má-formação do cérebro e do córtex do bebê, havendo apenas um "resíduo" do tronco encefálico. Daqueles que concordam, a maior parte é formada por entrevistados entre 25 e 29 anos (77,2%) e por pessoas de religião diferente da católica ou evangélica (78,3%). Dos entrevistados, 26,3% disseram não concordar que a mulher possa ter o direito de realizar o aborto nesses casos.
O levantamento do Ibope aponta ainda que 71,6% acreditam ser uma "tortura" obrigar a mulher a manter a gravidez até o final, ainda que não haja perspectiva de vida do bebê após o nascimento. Nesse quesito, é praticamente igual o percentual de homens (71,5%) e mulheres (71,7%) que consideram a atual legislação semelhante à "tortura".
Atualmente o Código Penal prevê apenas duas situações em que pode ser realizado o aborto: em caso de estupro ou de claro risco à vida da mulher. A legislação proíbe todas as outras situações, estabelecendo pena de um a três anos de reclusão para a mulher que se submete ao procedimento ou que o provoca em si mesma. Para o profissional de saúde que realizar o aborto, ainda que com o consentimento da gestante, a pena é de um a quatro anos.
De acordo com a pesquisa Anis/Ibope, 77,6% avaliam que, quando o bebê não tem cérebro, é dever dos hospitais públicos atender a mulher que deseja interromper a gravidez. Outros 19,3%, no entanto, observam que esses casos não devem ser necessariamente tratados em hospitais da rede pública.
A pesquisa, divulgada nesta segunda-feira, foi realizada entre os dias 11 e 15 de setembro em 24 Estados e no Distrito Federal. Foram entrevistadas 2.002 pessoas, e a margem de erro é de dois pontos percentuais.
Caso na Justiça
O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), prevê para o mês de novembro o julgamento em que a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS) pleiteia o direito de não serem punidos os médicos que fizerem abortos de fetos anencefálicos. Além disso, a CNTS pretende que a gestante possa realizar o aborto sem a necessidade de apresentação prévia de autorização judicial ou de qualquer outra forma de permissão do Estado.
[16:57] - 27/10/2008
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Crianças de favelas do Rio têm risco dez vezes maior de morrer, diz ONG
Crianças moradoras de favelas do Rio de Janeiro têm dez vezes mais chances de morrer antes dos cinco anos do que as que moram em outras áreas da cidade, segundo um relatório divulgado nesta terça-feira pela organização Save The Children.
De acordo com o estudo State of the World's Mother ("Situação das mães no mundo", em tradução livre), crianças brasileiras que moram nas favelas têm pouco acesso aos tratamentos de saúde.
"Altos níveis de concentração populacional em áreas urbanas tornam as crianças pobres vulneráveis a doenças contagiosas, como diarréia, problemas respiratórios e meningite", afirma o relatório.
Ainda segundo a organização, que avaliou a situação de crianças com até cinco anos em 55 países em desenvolvimento, as crianças mais pobres do Brasil têm três vezes mais chances de morrer do que as oriundas de famílias com melhores condições financeiras.
Outros 11 países estão na mesma situação: Azerbaijão, Bolívia, Camboja, Egito, Índia, Indonésia, Marrocos, Nigéria, África do Sul e Filipinas.
Sistemas de saúde
O Brasil ainda ocupa a sexta posição em um ranking que lista os dez países com maior número de crianças que não contam com tratamentos de saúde adequados.
Com base em dados de 2006, a organização aponta que a população brasileira de crianças com menos de cinco anos contabilizava cerca de 18 milhões, das quais 7,9 milhões (44%) não tinham acesso aos sistemas de saúde.
No topo da lista está a Índia, com 67 milhões de crianças sem os tratamentos médicos necessários, seguida pela Nigéria (16 milhões) e Bangladesh (62 milhões).
Ainda de acordo com as conclusões do estudo, 200 milhões de crianças em todo mundo não contam com acesso a tratamentos básicos de saúde.
Segundo a organização, os 55 países analisados contabilizam 60% da população mundial com menos de cinco anos e respondem por 83% das mortes de crianças.
A Save the Children define tratamentos de saúde como um pacote de medidas que incluem pré-natal, cuidados especiais na hora do parto, imunização e tratamentos para diarréia e pneumonia.
"A chance de uma criança comemorar seu quinto aniversário não deveria depender do país ou da comunidade onde ela nasce", disse Charles MacCormack, presidente da Save the Children