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terça-feira, 11 de novembro de 2008

AIEA diz que tem apoio de Obama para avançar em diálogo com Irã

Praga, 11 nov (EFE).- O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, afirmou hoje em Praga que conta com o apoio do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, para avançar na resolução da questão do programa nuclear do Irã.



"Temos o apoio de Barack Obama para envolver o Irã em um diálogo direto entre Irã e EUA", declarou o Prêmio Nobel da Paz de 2005.



Dessa forma, ElBaradei insistia na disposição manifestada por Obama de estabelecer um contato direto com o regime de Teerã, com quem os EUA não têm relações diplomáticas.



A AIEA reiterou a necessidade de o Irã colaborar ainda mais e defendeu a via negociadora para que se chegue a um acordo.



ElBaradei destacou que, na AIEA, existe uma "grande preocupação, compartilhada pelo Conselho de Segurança (da ONU) pelas futuras intenções" do programa nuclear iraniano, sob o olhar atento da AIEA há seis anos.



Nesses anos, os inspetores ainda não conseguiram confirmar definitivamente a natureza, militar ou civil, dos esforços nucleares do regime dos aiatolás.



"Somos capazes de verificar todas as atividades do programa de enriquecimento declaradas, mas não sobre supostos estudos vinculados com a dimensão militar", afirmou ElBaradei.



O diretor-geral da AIEA também citou as supostas atividades nucleares secretas da usina síria de Al-Kibar, destruída pela aviação israelense no ano passado.



"Estamos no meio das investigações. Estamos levando esse assunto muito a sério. Lamentamos não ter conseguido investigar antes do ataque", disse ElBaradei após um encontro com o ministro de Relações Exteriores tcheco, Karel Schwarzenberg.



O diretor-geral da AIEA não quis comentar as informações surgidas ontem sobre a possível descoberta de urânio nessas instalações militares, vazadas por fontes diplomáticas em Viena.



ElBaradei informará na próxima semana sobre o resultado das inspeções na central síria em junho.



Sobre o assunto, ElBaradei acrescentou que a AIEA está pedindo que a Síria trabalhe com a "máxima transparência".



A Síria afirma que o local atacado era uma instalação militar convencional sem importância.



Após meses de negociações entre AIEA e Damasco, o regime sírio finalmente cedeu à inspeção, mas só após ter limpado totalmente o local, segundo imagens de satélite. EFE

domingo, 2 de novembro de 2008

Embargo dos EUA a Cuba recebe condenação quase unânime na ONU

NOVA YORK, EUA (AFP) — A Assembléia Geral da ONU pediu nesta quarta-feira aos Estados Unidos, por votação quase unânime, que ponha fim ao embargo comercial e financeiro imposto a Cuba há 46 anos.
Uma resolução sobre a "necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos a Cuba" recebeu 185 votos a favor e 3 contra (Estados Unidos, Israel e Palau) e duas abstenções (Micronésia e Ilhas Marshall).
O apoio a Cuba foi inclusive maior que o do ano passado, quando uma resolução semelhante havia recebido o respaldo de 184 países. A mudança ocorrida foi das Ilhas Marshall, que desta vez se abstiveram em vez de votar contra Cuba.
Trata-se da 17ª vez consecutiva que a ONU vota um texto similar. De 59 países que apoiaram o texto em 1992, o número aumentou para 179 em 2004, para 183 em 2006 e para 184 no ano passado.
"Esta é uma vitória histórica pela clareza com que no debate se constatou o isolamento absoluto em que está a política dos Estados Unidos em relação a Cuba", declarou o chanceler cubano Felipe Pérez Roque após a votação.
Em claro pedido por uma mudança da política externa americana em caso de vitória do candidato democrata à Casa Branca, Pérez Roque disse que "o bloqueio é mais antigo que o senhor Barack Obama e que toda a minha geração".
"Dentro de algumas horas será eleito um novo presidente dos Estados Unidos", disse Pérez Roque. "Este deverá decidir se admite que o bloqueio é uma política fracassada, que cada vez provoca mais isolamento e descrédito em relação ao seu país ou se persiste, com obsessão e crueldade, em tentar provocar o povo cubano com fome e doenças".

As sanções econômicas americanas a Cuba datam de 1962, decididas pelo presidente John Fitzerald Kennedy, também democrata.

Foi a primeira de uma série de medidas de caráter econômico e comercial para isolar o regime de Fidel Castro, acompanhadas pela lei Helms-Burton, a lei Torricelli e as restrições às viagens à ilha, entre outras.

"É certo que os Estados Unidos necessitam de uma mudança, e o mundo também", disse Pérez Roque.

"O correto, o coerente com o discurso de mudar as coisas neste país inclui retirar o bloqueio contra Cuba e manter relações normais e respeitosas com nosso país, que de maneira alguma é uma ameaça para os Estados Unidos", disse depois à imprensa.

O representante norte-americano Ronald Godard defendeu na Assembléia o direito de seu país decidir a forma de fazer comércio com Cuba e assegurou que o embargo permite "afastar os recursos dos dirigentes" cubanos.

Godard assegurou que o povo norte-americano fornece centenas de milhões de dólares de assistência humanitária a Cuba e que Havana havia rejeitado a ajuda oferecida em resposta aos recentes furacões que assolaram a ilha.

O representante francês Jean-Pierre Lacroix disse que "durante os últimos meses, a situação dos Direitos Humanos nesse país teve alguns desenvolvimentos positivos". No entanto, acrescentou, "a situação fundamentalmente não mudou, apesar de uma diminuição do número de presos políticos e dos atos de provocação.

O representante do México Claude Heller lembrou que "diversos órgãos e entidades do sistema das Nações Unidas destacam o impacto negativo que o bloqueio tem para o desenvolvimento econômico e social de Cuba".

A resolução aprovada "insta mais uma vez os Estados nos quais existem e continuam sendo aplicados leis e medidas desse tipo a, no prazo mais breve possível e de acordo com seu ordenamento jurídico, tomar as medidas necessárias para derrogá-las ou deixá-las sem efeito".