segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Zimbabwe: HRW quer pressões sobre Mugabe ou intervenção da ONU
Num novo relatório, esta organização de defesa dos direitos humanos acusa o regime de Robert Mugabe de usar o sistema judiciário e polícial contra a oposição e a sociedade civil, apesar do acordo de Setembro último com a oposição, que ficou letra morta.
A organização, com sede em Nova Iorque, calcula que 163 pessoas foram mortas no país desde as eleições de Março último.
"As instituições repressivas da ZANU-PF (União Nacional Africana do Zimbabwe-Frente Patriótica, no poder) permanecem intactas e não há nenhuma mudança no seu comportamento abusivo", considerou a directora Africa do HRW Georgette Gagnon, num comunicado.
Os chefes de Estado dos 15 membros da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) reúnem-se em Joanesburgo domingo para pressionarem o presidente Mugabe e o seu rival Morgan Tsvangirai a formarem um governo para tirar o país da crise.
Esta cimeira é vista como a última oportunidade para salvar um acordo de partilha de poder que está no impasse desde a sua assinatura a 15 de Setembro.
"Os líderes regionais da SADC devem fazer pressão sobre Robert Mugabe ou pedir às Nações Unidas que intervenham", declarou Gagnon.
A SADC "confiou infelizmente na diplomacia silenciosa do antigo presidente sul-africano Thabo Mbeki e na esperança que este tinha de ver Mugabe restaurar o estado de direito e o respeito dos direitos humanos", acrescentou.
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Venezuela expulsa Human Rights Watch após relatório crítico
Venezuela expulsa Human Rights Watch após relatório crítico
CARACAS (Reuters) - A Venezuela expulsou os representantes da organização de direitos humanos Human Right Watch, após a entidade com base nos Estados Unidos ter acusado o presidente Hugo Chávez de acabar com a democracia durante os quase dez anos em que está no poder, informou a chancelaria nesta sexta-feira.
A decisão pode tornar ainda mais tensas as relações entre o líder venezuelano e Washington, seu principal comprador de petróleo, uma semana depois da expulsão do embaixador norte-americano da Venezuela, e a resposta dos EUA na mesma moeda.
A organização, que tem sede em Nova York, denunciou, em um relatório apresentado em Caracas na quinta-feira, que não existe separação de poderes no país e que Chávez controla todos os tribunais.
Os representantes da Human Rights Watch (HRW), José Miguel Vivanco e Daniel Wilkinson, foram expulsos por "agredir as instituições da democracia venezuelana, intrometendo-se ilegalmente nos assuntos internos do nosso país", disse um comunicado da chancelaria.
Imagens mostradas pela televisão estatal mostraram funcionários indo, à meia-noite, ao hotel em que se hospedavam Vivanco e Wilkinson para informá-los de sua expulsão imediata. Os dois foram acompanhados até o aeroporto.
"O motivo?", perguntou Vivanco, surpreso, à porta.
"A violação ao visto com que você ingressou no território venezuelano. É um visto de turista, autorizado para atividades de lazer e recreação. Além disso, suas declarações contêm francas violações à legislação venezuelana", respondeu o funcionário, sem dar mais detalhes.
A HRW é uma organização não-governamental independente, mas Chávez a acusa de trabalhar para o governo de George W. Bush, que chamou a Venezuela, na quinta-feira, de autocracia.
O chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, explicou que a delegação da HRW "violou" e "prejudicou" as instituições do país.
"Este tipo de grupo, com a aparência de defensores dos direitos humanos, são financiados por distintos órgãos do Estado norte-americano", disse Maduro à televisão estatal, na madrugada de sexta-feira. Ele confirmou que a expulsão dos dois foi "imediata".
A oposição acusa Chávez de criar esse tipo de polêmica no país para desviar a atenção dos problemas enfrentados pelos venezuelanos, a semanas das eleições regionais.
(Por Saul Hudson)